Expresso

Boqueirão

ED010Na madrugada do dia 1º de novembro de 1991, o primeiro biarticulado do Brasil circula pelas ruas.

Nesse horário, pouquíssimas pessoas o viram circular, mas teve uma pessoa, talvez a que estivesse mais empolgada naquele momento, Jaime Lerner. Ali, ele via seu trabalho junto com engenheiros e técnicos da Urbs se tornar realidade. Já o motivo de um ônibus biarticulado circular as escondidas era o seguinte: iniciava-se ali, a revolução do Transporte Coletivo de Curitiba. O que circulava, era apenas o chassi Volvo B58E.

Depois de testes exaustivos e satisfatórios, o chassi foi enviado à fábrica da Ciferal no Rio de Janeiro para encarroçá-lo. A Ciferal por sua vez, o guardou muito bem para que em torno de 1 mês depois ele estivesse novamente as ruas.

Os testes realizados nas madrugadas se davam em verificar o comportamento do veículo de 25 metros em curvas nas canaletas e nas entradas dos terminais. Outro teste importante era quanto ao tempo de frenagem, observando assim a necessidade de instalação de modernos sistemas de frenagem, como ABS e Retarder.

Outro detalhe que era necessário verificar seria a potência do motor. Este chassi de teste utilizava um motor de articulado com 250 cv. A Volvo estudava qual motor seria o adequado para equipar os “bondes sobre pneus”. A empresa possuía motores com 350cv (equipavam os seus ônibus rodoviários) e também havia um modelo com 340cv, porém utilizados para fins militares.
Depois de muito analisar, o motor que equiparia os chassis B58 era o THD 101KB e teria 286cv, com retardador hidrodinâmico integrado.

Esse tal biarticulado que circulava nas madrugadas de 1991 em Curitiba, ganhou carroceria e retornou a cidade.

Com pintura vermelha, sacos de areia e muitos equipamentos em seu interior, nas poucas vezes que circulou durante o dia, pegou de surpresa os desavisados, que por sua vez se impressionaram com tais dimensões do ônibus.

Um flagrante em registro fotográfico foi feito quando o veículo fazia testes nas imediações do Terminal Santa Cândida.

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Ele circulava aleatoriamente pelas canaletas que na época operavam com veículos articulados.

Paralelamente, a Av. Marechal Floriano era um verdadeiro canteiro de obras. Em toda a sua extensão, era instaladas as estações-tubo (pontos de ônibus futurísticos em formato de tubo) onde o expresso de 25 metros faria o embarque e desembarque em nível dos passageiros.

No total, foram instaladas 30 estações-tubo, somando 15 paradas ao longo de 13Km, indo do Terminal Boqueirão à Praça Carlos Gomes (essa, que recebeu estações-tubo de quase 30 metros de comprimento, sendo uma para embarque e outra para o desembarque em nível dos passageiros).

Com os chassis Volvo B58 prontos, foram enviados às encarroçadoras Ciferal e Marcopolo, sendo 18 e 15 veículos para cada, respectivamente.

ED030No dia 19 de dezembro de 1992 se iniciava as operações dos ônibus expresso biarticulado na linha Boqueirão. Os 15 Ciferais tinham a carroceria modelo GLS e os 18 Marcopolo eram Torino LN, todos na cor cinza porque naquela época o projeto de embarque em nível originava do “Ligeirinho”, sendo este a referência para os expressos. Mas como os biarticulados estavam substituindo os expressos, anos mais tarde os 33 metrôs de superfície foram adequados ao padrão da categoria e pintados de vermelho. Outro motivo para a troca da cor dos expressos biarticulados foi o constante número de acidentes que ocorriam nos cruzamentos com as canaletas, pois os motoristas dos automóveis tinham dificuldades em visualizar o ônibus “gigante”, principalmente em dias nebulosos, onde o ônibus era facilmente confundido. Já a cor vermelha garantiria a originalidade do Expresso e melhoraria a visão e localização dos ônibus em qualquer condição.

Números do Eixo Boqueirão no seu início:

– O projeto de implantação do Expresso Biarticulado custou US$20 milhões;

– Os veículos tinham 1,90m de altura;

– O tempo médio que um biarticulado levava para embarque/desembarque nas estações-tubo era de aproximadamente 23 segundos;

– Nos primeiros 5 anos, a linha atendia em torno de 110 mil passageiros;

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Norte – Sul

– Santa Cândida / Capão Raso
– Pinheirinho / Rui Barbosa

GD3153 anos mais tarde, 66 novos ônibus biarticulados chegam a Curitiba. Desta vez, o eixo Norte-Sul foi contemplado com a revolução do Transporte de massa. Definitivamente este eixo necessitava de soluções imediatas, pois a capacidade dos 134 veículos, 87 articulados e 47 padrons já estava saturada. Mas a linha Boqueirão foi a primeira a ser beneficiada por esse audacioso projeto por ter um trajeto reto e plano, o que significava que as chances de sucesso eram simplesmente certas.

Os veículos Volvo de 1995 contaram com aperfeiçoamentos que vieram com a experiência de 3 anos e Curitiba sendo na época a única cidade com sistema completo, através da infraestrutura viária e capacidade tecnológica da montadora Sueca.

No dia 31 de agosto de 1995, 21 anos após a inauguração do primeiro passo para a revolução no transporte coletivo, o eixo Norte/Sul entrou em operação com 66 veículos biarticulados.

Em substituição aos Marcopolo Veneza vermelhos com chassis Cummins, entraram outros Marcopolos Vermelhos, mas desta vez Torino GV/LS de 25 metros de comprimento, 2,20m de altura (salão de passageiros) e capacidade de transportar 270 passageiros; com chassis Volvo B58, motor THD 101KB de 286cv de potência.

Os 66 veículos foram comprados pelas empresas Transporte Coletivo Glória, Viação Cidade Sorriso e Auto Viação Redentor, ambas do Grupo Gulin, onde cada empresa ficou com 22 ônibus, que custaram o valor unitário de R$457,37 mil.

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Da mesma forma que o Boqueirão, o eixo Norte/Sul conta com embarque em nível através de 34 estações ao longo de 20 km. Já as diferenças são que neste eixo os expressos abrem as 3 portas, onde no Boqueirão até 1995 abria apenas 2 portas. Também o diferencial está nas estações-tubo Eufrásio Correia e Central, que possibilitam a abertura de todas as portas, assim como nos terminais e a estação-tubo Passeio Público comporta a abertura das portas 1, 2, 3 e 4.

Uma solução tecnológica que estava cogitada no projeto e que agilizaria significativamente a operação da linhas deste eixo era a abertura dos semáforos através dos ônibus via sinal de rádio ou sensor, mas sendo esta tecnologia implementada 14 anos depois, no eixo Linha Verde e Ligeirão Boqueirão.

BD101Logo no inicio o sistema já transportava em média 250 mil passageiros por dia. A viagem de 20 km passou a ser completada em 55 minutos com uma velocidade média de 33km/h, 13km a mais que a linha Boqueirão, até então.

Junto com a linha Santa Cândida / Capão Raso, a linha Pinheirinho / Rui Barbosa também ganhou veículos biarticulados completando com grande sucesso o eixo Norte/Sul, que corresponde na ligação dos bairros Santa Cândida e Pinheirinho.

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Circular Sul

GR028Em março de 1999, foi  inaugurada a linha Circular Sul, servida por 20 ônibus articulados e 76 estações-tubo. A linha é capaz de transportar 100 mil pessoas por dia ao longo de 26 quilômetros, nos bairros da zona sul, a região da cidade que mais cresce.

A linha Circular Sul passa por 7 terminais que permitem a integração tarifária com o resto da cidade — Boqueirão, Carmo, Hauer, Portão, Capão Raso, Pinheirinho e Sítio Cercado.

Os usuários do Circular Sul ainda contam com vantagens como a integração com 90 linhas que passam pelo terminais, pagamento antecipado da passagem e embarque no nível do ônibus.

Com o início de operação da linha Circular Sul, algumas nasceram, outras deixaram de existir e outras mais tiveram seus itinerários alterados, como o Interbairros IV, que deixou de passar pelos terminais do Sítio Cercado e Boqueirão, tendo como ponto-final o Terminal do Pinheirinho.

No ano de 2006 a linha passou a ser operada por veículos articulados de 20 metros, chassis Volvo B12M de 340cv. As tabelas das empresas Viação Tamandaré e Auto Viação Santo Antônio continuaram com veículos biarticulados.


Leste – Oeste  

– Centenário / Campo Comprido
– Pinhais / Rui Barbosa

17D07Inaugurado em 1º de julho de 2000, o Eixo Leste-Oeste, o único dos 5 grandes corredores de transporte coletivo da cidade que ainda não operava como um metrô de superfície, passou a utilizar ônibus biarticulados em canaletas exclusivas e pré-embarque por estação-tubo. Iniciou com 53 ônibus biarticulados, Volvo B10M, com embarque dos usuários por 72 estações-tubo ao longo da canaleta de 23 quilômetros que liga o Campo Comprido ao bairro Centenário e ao município de Pinhais. O novo sistema amplia em mil lugares por hora a capacidade de transporte do corredor Leste-Oeste. Além disso, o novo corredor retirou do centro da cidade 40 ônibus metropolitanos que faziam cerca de 400 viagens ao dia. O eixo alcança uma área onde vivem 450 mil moradores de 12 bairros, além da população de Pinhais, Piraquara e Campo Largo. Só em Curitiba usam a rota do Leste-Oeste 120 mil passageiros dia e na Região Metropolitana mais 70 mil.

Com duas linhas, Centenário/Campo Comprido e Pinhais/Rui Barbosa, o eixo leste-oeste trouxe maior conforto aos usuários de diversas linhas, entre as principais: Campo Comprido, Centenário, Oficinas, Campina do Siqueira/Capão da Imbuia e Pinhais.

As linhas citadas eram operadas (exceto a Pinhais) exclusivamente pelas empresas Cristo Rei, Auto Viação Curitiba, porém, na época da aquisição da nova frota ambas concederam suas tabelas a outras empresas de ônibus por um período de 120 meses. A Cristo Rei operou por um curto espaço de tempo com uns de seus Caio Alpha Volvo B58E/B10M adaptados com duas portas de embarque em nível. Já a Auto Viação Curitiba recebeu 4 ônibus biarticulados zero quilômetro (LD001 ao LD004) e ainda operou por algum tempo com um Busscar Urbanus Volvo B10M articulado adaptado, ex interbairros, LR008.

As empresas operantes até 2010 na linha Centenário Campo Comprido foram: Auto Viação Curitiba, Viação Cidade Sorriso, Auto Viação Redentor, Viação Tamandaré, Expresso Azul e Araucária Transporte Coletivo.

A linha Pinhais / Rui Barbosa é de operação exclusiva da empresa Expresso Azul de Pinhais.

Reforço

Três linhas extras servem como reforço nos horários de pico: Centenário/Rui Barbosa, Centenário/Campina do Siqueira e Terminal Capão da Imbuia/Terminal Pinhais.

Números

No ano de 2010 após a licitação do Transporte Coletivo de Curitiba, a linha 303 retornou as suas empresas de origem, Cristo Rei e Auto Viação Curitiba, contando ainda com a participação inédita da empresa Transporte Coletivo Glória. Com isso, a frota adquirida pelas empresas concessionárias em 2000 foi repassada para as empossadas.
Investimento – R$ 55 milhões e 691 mil (fontes: BNDES, FDU, BID, Prefeitura de Curitiba e iniciativa privada)

População beneficiada : 450 mil moradores de 12 bairros de Curitiba (Cajuru, Capão da Imbuia, Cristo Rei, Jardim Botânico, Bigorrilho, Campina do Siqueira, Mossunguê, Campo Comprido, CIC, Centro, Mercês, Rebouças), além de Piraquara, Pinhais e Campo Largo

Extensão do eixo – 23 quilômetros entre Pinhais e o bairro Campo Comprido, em Curitiba ( 20,5 km em Curitiba entre o Centenário e o Campo Comprido, nos extremos Leste e Oeste da cidade)

Número de passageiros – 190 mil/dia e 20 mil/hora no pico

Estações-tubo – 72

Ônibus biarticulados – 53 carros (36 na linha Centenário–Campo Comprido e 17 na linha Pinhais–Praça Rui Barbosa)

Terminais do eixo Leste-Oeste – 6

Terminal Pinhais
Terminal Centenário
Terminal Vila Oficinas
Terminal Capão da Imbuia
Terminal Campina do Siqueira
Terminal Campo Comprido

Integrações Centrais:

Praça Eufrásio Corrêia, com a linha Santa Cândida / Capão Raso, com conexão simultânea de 2 veículos, sendo um de cada em eixo, em cada sentido.

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Linha Verde

– Pinheirinho / Carlos Gomes

GR033Dando continuidade ao processo de desenvolvimento da cidade de Curitiba, em 09 de maio de 2009 foi inaugurada a primeira linha de Ônibus do eixo Linha Verde.

Utilizando 11 veículos articulados de 20 metros de comprimento de chassis Scania K310 e Volvo B12M, a linha oferece reforço a Pinheirinho / Rui Barbosa e integração com a nova Avenida de Curitiba, extinguindo, originando e adaptando linhas ao seu redor. Seu itinerário, de ponto de partida ao ponto-final leva 25 minutos, 10 a menos que a linha do eixo norte-sul.

Ao todo são 10 paradas, de uma ponta a outra. Confira:

– Terminal Pinheirinho
– Estação São Pedro (Linha Verde)
– Estação Xaxim (Linha Verde)
– Estação Santa Bernadethe (Linha Verde)
– Estação Fanny (Linha Verde)
– Estação Marechal Floriano (Linha Verde)
– Estação Parolin (Av. Mal Floriano Peixoto)
– Estação Almirante Gonçalves (Av. Mal Floriano Peixoto)
– Estação UTFPR (Av. Mal Floriano Peixoto)
– Praça Carlos Gomes (Rua Lourenço Pinto)

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A previsão é que até o 2º semestre de 2011 a linha passe a ser operada por ônibus biarticulados de 28 metros, de cor azul, iguais aos que operam na linha Ligeirão Boqueirão.

Ligeirão Boqueirão

GE703Depois de 4 anos de boatos e muita espera, enfim é inaugurada a linha Ligeirão Boqueirão. Com veículos articulados de 20 metros de comprimento da Scania e Volvo, a linha entrou em operação para desafogar a linha Boqueirão e melhorar a qualidade de vida dos usuários da região. Em 21 minutos, o ligeirão percorre do Terminal do Boqueirão à Praça Carlos Gomes parando apenas nos terminais do Carmo e Hauer, contando com o auxílio dos semáforos inteligentes que são acionados pelo próprio ônibus, enquanto se aproxima.

Estrategicamente, as estações-tubo da linha Boqueirão foram desalinhadas para que os ligeirões pudessem realizar a ultrapassagem dos expressos que estivessem nas estações de parada.

O trabalho dos Ônibus articulados no Ligeirão Boqueirão durou pouco. Em 16 de abril de 2011 a prefeitura municipal de Curitiba entregou o tão aguardado ônibus azul, um projeto que havia se tornado uma lenda entre os operadores e admiradores de ônibus. Este projeto tinha sido aguardado na época da operação dos ônibus articulados, o que tornou o ônibus azul discutível e lendário.

Mas a surpresa não ficou apenas na cor do veículo, suas dimensões também impressionam e causam euforia: 28 metros de comprimento e 2.60m de largura.

A carroceria não poderia ficar por menos depois de tanta novidade. Por isso, o encarroçamento ficou por conta da montadora San Marino, a Neobus, que desenvolveu um projeto exclusivo para o padrão BRT (Bus Rapid Transit), que recebeu o nome de Mega BRT. Suas linhas e formas trazem um visual futurista, renovado e ousado, mudando a concepção urbana de Curitiba.

A prefeitura de Curitiba estima que o ligeirão Boqueirão desafogará consideravelmente a linha Boqueirão e proporcionará mais agilidade àqueles que vão direto ao centro e quem retornará ao bairro.

A previsão é de que a idéia seja implantada nos demais eixos gradualmente, da mesma forma que os biarticulados foram introduzidos. Segundo estimativa, o eixo norte-sul receberá o ligeirão, ligando o Santa Cândida a Praça do Japão, no Batel.

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Referenciais:
Revista Eu Rodo, Revista Technibus, Revista Carga & Transporte, Revista Veja Paraná, Viação Cidade Sorriso, Prefeitura Municipal de Curitiba.

Agradecimento: Eduardo Tows, Marcelo Santos (Flecha Azul), Reinaldo Penhalves.

 


Fotos
Capa: Arnaldo Eduardo Gomes

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