Em 31 de janeiro de 1934, o empresário Lauro Parente fundou a MAFERSA (Material Ferroviário S/A), empresa que então viria a produzir eixos e rodas para composições ferroviárias. Com a boa capacitação e a qualidade da sua produção, a MAFERSA através de um contrato de transferência de tecnologia com a THE BUDD COMPANY, passou a produzir composições completas em aço inoxidável e, na nova e recém inaugurada unidade de Caçapava, complementou a produção com eixos, rodas e engates.
 
Nos anos 50 teve início a instalação da indústria automobilística de forma mais concreta no Brasil e este cenário se refletiu na queda dos investimentos e incentivos na industria ferroviária, vindo a afetar diretamente o quadro financeiro e produtivo da empresa e a MAFERSA começou a enfrentar sérias dificuldades. Já no início do anos 60, tendo o governo como seu maior cliente, suspendeu as encomendas e a companhia passou por um difícil processo, acabando por ser estatizada.
 
A parceria com a THE BUDD COMPANY se manteve e a produção de trens de passageiros prosperou.
 
No início dos anos 70, no auge da sua produção, fabricou os chamados TUE’S para os metrôs de São Paulo e Rio e a partir de 1976 atendeu a encomendas da RFFSA e FEPASA. Na década de 80, a THE BUDD COMPANY faliu e a MAFERSA veio a sofrer um duro golpe pois não mais dispunha da licença para produzir utilizando esta tecnologia, viabilizada pela parceria contratual com a americana BUDD, agora extinta.
Em parceria com a COBRASMA, a MAFERSA produziu composições utilizando conceito e tecnologia da França no processo de fabricação sob licença da FRANCORAIL para atender ao Metrô de São Paulo. 
Em 1985, após séria crise no setor ferroviário, uma nova e ousada estratégia impulsionam e conduzem a MAFERSA e a COBRASMA a projetarem e iniciarem um novo desafio, saindo dos trilhos, literalmente, e partindo para as pistas.
 

Mafersa nas ruas

Iniciou-se assim a fabricação de trólebus e ônibus completos, um novo conceito baseado na tecnologia dos ônibus monoblocos. Nascia então o ônibus produzido pela MAFERSA, o M-210 TURBO. Um ônibus monobloco, ou seja, a carroceria e o chassi formavam um mesmo conjunto, equipado com motor Cummins 6CT8.3 210, o mesmo que equipava o caminhão Volkswagen 14.210, com transmissão ZF S 6-90 e o eixo de tração fabricado pela Mafersa, com tecnologia licenciada da Europa.
 
A aplicação do freio ABS e o controle de estabilidade em ônibus urbanos era um projeto pioneiro e foi lançado pela MAFERSA neste segmento. O passo seguinte, após o sucesso da marca conquistado com o passar do tempo no segmento urbano, foi uma versão mais sofisticada, o M-240 com opção de transmissão automática Alisson, com mais potência e conforto para motorista e passageiros.
 
Os ônibus e trólebus fabricados pela MAFERSA conquistaram o mercado em um momento de aumento de investimentos no setor de transportes urbanos e metropolitanos, bem como também pela credibilidade alcançada pela união das marcas Mafersa e Cummins. A CMTC de São Paulo foi uma das maiores clientes de trólebus e ônibus da MAFERSA.
 
No início dos anos 90, após a privatização ocorreu a transferência da linha de produção de ônibus diesel para a unidade de Contagem, em Minas Gerais, onde chassis começaram a ser produzidos.
 

Mafersa e sua existência em Curitiba

Em Curitiba e região, os ônibus MAFERSA tiveram um ótima aceitação e a marca se fez presente nas frotas de diversas empresas urbanas e metropolitanas, a se destacar a empresa metropolitana LEBLON, que padronizou sua frota que operava na ligação entre a cidade de Fazenda Rio Grande e Curitiba em uma linha troncal de alta demanda.
 
 
A prefeitura de Curitiba, através da URBS, chegou a encomendar o modelo para sua frota pública, mas o lote foi cancelado e a frota que se destinaria a Curitiba acabou sendo arrematada pela CMTC de São Paulo e chegou a rodar por lá por algum tempo com a padronização da frota de Curitiba.
 
MAFERSA foi um dos modelos mais imponentes e modernos a operar em Curitiba.
 
Quem teve a oportunidade de vê-los em operação ou até rodou neles jamais esqueceu do modelo.
 

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Francisco José Becker

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  • Jonas De Almeida Cabral Neto

    Mais uma excelente matéria história, como sempre Francisco Becker

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