Antes de iniciar a produção no Brasil do chassi B58 articulado para carrocerias de 18m, a Volvo importou dois chassis articulados da Suécia e mandou encarroçá-los na Caio.

Um desses veículos foi montado nos padrões de configuração do Sistema Expresso de Curitiba e operou de forma experimental nas canaletas exclusivas transportando passageiros. Naquele momento se iniciou uma parceria entre a Volvo e a Prefeitura de Curitiba, uma união que possibilitaria ao sistema Expresso ampliar o número de passageiros transportados em um só veículo.

A introdução de ônibus articulados nos corredores expressos possibilitou o aumento da capacidade de transporte no sistema que com o passar dos anos exigiu ainda mais tecnologia devido a alta demanda, o que culminou com a implantação dos ônibus biarticulados com estações tubulares e acesso em nível, possibilitando melhor acessibilidade e mais rapidez nas operações de embarque e desembarque.

Nascia assim o BRT, sistema adotado posteriormente em várias cidades de diversos países do mundo. Mas o foco da matéria é mesmo o chassi sueco encarroçado pela montadora paulista Caio. O projeto desenvolvido pela montadora seguiu os padrões do modelo Gabriela na versão inspirada e projetada do modelo Expresso do sistema exclusivo que operava em Curitiba.
O articulado Volvo sueco foi o primeiro a operar no sistema expresso, logo seguidos por mais quatro unidades do modelo Caio Gabriela, já montadas em chassis B58 produzidos na planta de Curitiba para operar os corredores Norte e Sul e mais uma frota encarroçada pela Marcopolo no modelo San Remo II para o eixo Boqueirão. Esses veículos foram apelidados pelos curitibanos na época de “minhocões”.

No caso específico do protótipo sueco mais tarde ele seria transformado em gabinete itinerante nos bairros na gestão do então prefeito, o arquiteto Jaime Lerner. As características do protótipo B58 sueco encarroçado no Brasil se diferenciavam dos B58 que seriam produzidos no Brasil, alguns ítens seguiam normas técnicas adotadas nos padrões europeus da época e o veículo era bem mais sofisticado do que os que vieram a ser produzidos aqui. Lá na Europa o modelo já estava sendo produzido em uma geração bem mais avançada do que o que viria a ser produzido no Brasil, mesmo assim o nosso B58 era muito moderno para os nossos padrões naqueles dias. Já vieram equipados com câmbio automático, motor central abaixo do piso do salão de passageiros, o que possibilitava o aproveitamento total do espaço destinado aos passageiros e suspensão total ar, aliás uma suspensão tão macia que até nos dias de hoje não temos nada semelhante.

Com o passar dos anos, a Cidade de Curitiba viria a ser um laboratório e um campo de provas para as montadoras que trouxeram e trazem até os dias atuais vários ônibus europeus e nacionais para serem testados e avaliados pelo Sistema Integrado da cidade e região metropolitana. Muitos modelos aqui testados foram aprovados, adotados e incorporados de forma definitiva na frota da cidade.

Neste momento, a atual gestão da prefeitura busca novas tecnologias e projeta a ampliação e modernização do seu sistema de transportes buscando novos modais que possam vir a operar no sistema de forma integrada proporcionando maior eficiência e conforto aos usuários. Duas propostas estão sendo avaliadas neste momento, o VLP (Veículo Leve sobre pneus) com veículos de 42 metros de comprimento distribuídos em 6 módulos, movido totalmente a eletricidade para possível implantação na Linha Verde e um novo conceito de BRT (Bus Rapid Transit) com veículos biarticulados híbridos de 30 metros de comprimento operando em túneis com paradas em estações subterrâneas no eixo Norte Sul.

E pensar que a busca pela eficiência e o aumento da capacidade de transportes teve início lá atrás com o nosso personagem, o B58 sueco, que apontou a modernidade e inovação ao Sistema Integrado da capital paranaense nos dias que operou de forma experimental e foi o precursor de um modal que seria implantado e incorporado de forma definitiva até aos dias do BRT. A jornada continua e o sistema continua a avançar e a evoluir para ônibus cada vez mais modernos e sofisticados.