Calma, não é o tamanho do ônibus que está diminuindo. Pelo contrário, isso aí está aumentando bastante. Volvo com biarticulado de 30 metros, Scania entrando no segmento de biarticulados e Mercedes-Benz com super-articulado estão na lista dos ônibus que têm crescido ultimamente.

Mas o assunto neste post é sobre como o ônibus tem perdido espaço nas opções da população dia após dia. Nos últimos 15 anos tivemos um aumento na facilidade de acesso à veículos de transporte individual. E isso não é um problema, pois não há nada de errado em as pessoas terem um veículo particular para passeio e lazer.
O que acontece é que neste mesmo período, o transporte coletivo não seguiu para o mesmo caminho que todos nós seguimos nesta rápida evolução tecnológica a qual nos encontramos tão bem familiarizados nos dias de hoje.

O transporte público de Curitiba como um todo, evoluiu quase nada neste período. Pare e observe. Nada de significante aconteceu. Pelo contrário, a licitação realizada em 2010 que tinha como papel fundamental a regularização, evolução do sistema e oferecer um transporte de melhor qualidade à população, falhou mizeravelmente. Graças à esta licitação, ônibus que estrearam em Curitiba no ano 2000 ainda circulam dia e noite. Não apenas isso, a gestão simplesmente não é capaz de usar a tecnologia e a flexibilidade em favor da facilidade do uso deste modal.

Tanto que hoje o ônibus passou a ser um modal insignificante (mais do que já era – na visão de parte da população) e que só atrapalha a mobilidade individual. É isso mesmo. E quem diz isso não sou eu. É a própria SETRAN, ao usar o microblog Twitter para reportar trânsito em diversos pontos da cidade. Em algumas vezes, testemunhei tuítes dizendo mais ou menos assim: “muito trânsito na rua xxx devido grande quantidade de ônibus”. Efetivamente ter muitos ônibus é um problema de mobilidade nos dias de hoje.
No último dia 28 de abril, quando houve a Greve Geral no Brasil, encontrei relatos de pessoas, também no Twitter, alegando que a Av. Visconde de Guarapuava estava muito tranquila – com pouco tráfego – pois não havia ônibus circulando.

O pilar da mobilidade é nada menos que o transporte público. Sem ele as grandes cidades sofreriam colapso em suas vias públicas. Mesmo que esteja ruim, a presença do ônibus nas ruas garante ao menos que o trânsito não seja tão massivo e caótico.

Porém é necessário que todos saibam de sua importância neste debate, no ato de cobrar e exigir das autoridades competentes que foquem no transporte coletivo, que tragam as devidas inovações, novas ideias e concepções alinhadas à realidade em que vivemos hoje e ainda que acompanhe nossa sociedade em cada evolução em que ela avançar.

Porque por enquanto, o poder concedente só está achatando e inibindo o ônibus, tirando-o da disputa pelo seu legítimo espaço nas ruas, que é transportando em massa e oferecendo um justo preço pelo serviço à altura. Além disso, a violência desenfreada já passou a catraca do ônibus e tomou conta de todo o coletivo. Não há mais a garantia de um mínimo de segurança para quem ainda depende do ônibus para se locomover.

Mas até então, só podemos esperar e ver os meios alternativos, como Uber e Cabify, assumindo o espaço do ônibus. E que, errôneamente, foram vistos como arqui-inimigos dos taxis. Nunca apostei nisso, especialmente aqui em Curitiba.

About The Author

Fundador do Site Ônibus de Curitiba. Admirador de ônibus e modais de transporte desde sempre. Para Diego tudo podia virar ônibus, desde brinquedos, bicicletas, vídeo-games de corrida e até mesmo carros. Quem nunca brincou de fazer linha com algum desses itens? Pois é, Diego sempre fez. Também é fã de tecnologia e gosta de conciliar ambos os gostos, mas nem por isso deixa de encantar-se com modelos clássicos, que não eram dotados de tanta tecnologia assim.

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