Como já sabemos há muito tempo, Curitiba é reconhecida mundialmente por suas inovações em transporte utilizando o ônibus como principal recurso em mobilidade. O problema é que, apesar de termos inaugurado aqui muitos modelos que posteriormente foram utilizados e evoluídos em outros lugares do mundo, como o Linha Direta e o Expresso, ambos com embarque em nível nas estações-tubo, paramos por aqui. Não temos outros tipos de veículos com características diferenciadas para melhor explorar a capacidade do ônibus.

Piso Baixo

O primeiro exemplo é o ônibus piso-baixo. Em Curitiba o modelo foi simplesmente um fracasso. Tivemos apenas 5 ônibus com piso totalmente baixo, sendo 2 Volvo B7R e 3 Scania L94. Operaram em linhas como Juvevê/Água Verde e Detran/Vicente Machado.

Obviamente a característica de um ônibus piso-baixo é facilitar o embarque e desembarque, especialmente para pessoas idosas, com dificuldade de locomoção, cadeira de rodas e carrinhos de bebê. Com apenas um nível de degrau para vencer e que pode ser alinhado ao nível da guia da calçada, o acesso se torna rápido e fácil. Curitiba apesar de ser uma cidade reconhecida por ter um aspecto e padrão europeu, ainda sofre com vias esburacadas, mal-feitas e cheias de obstáculos, tais quais as lombadas.
Com esse tipo de obstáculo, o ônibus piso-baixo foi riscado das possibilidades de inovação na mobilidade da cidade. Só que minha experiência com a linha Interbairros I me acendeu uma luz para a chance de uma linha como essa ter ônibus de piso-baixo. Se ao menos tivéssemos pensado um pouco quando resolveu-se renovar a frota da linha, provavelmente o piso-baixo teria sido um negócio muito melhor e mais barato que o Hibribus para o Interbairros I.

Volvo 7900 – Exemplo de ônibus piso-baixo integral

Sempre que utilizo a linha, vejo muitas pessoas idosas e com dificuldades de locomoção fazendo o uso dela e é possível observar a dificuldade desse público em acessar o veículo. Tem casos em que é necessário utilizar o elevador para atendê-los. Com o piso-baixo, seria necessário apenas levantar a rampa em formato basculante, criando uma ponte entre ônibus e calçada, consumindo pouquíssimos segundos.

Veja no vídeo abaixo, a operação da rampa basculante em ônibus de piso baixo em Singapura:

Além do Interbairros, outras linhas teriam a possibilidade de ter veículos com piso-baixo, tanto com padrons quanto articulados.

A Região metropolitana se diferencia

Para comprovar que mesmo com as adversidades estruturais da cidade é possível operar com veículos desta natureza, a Viação Colombo está com uma frota de 7 articulados com piso-baixo e Viação do Sul com 1 unidade. No passado, a Viação Tamandaré operou com uma frota de 5 ônibus Scania piso-baixo oriundos da TIL de Londrina.

Ônibus 15 metros

Com a presença do XY035, o Scania K310 de 15 metros que está circulando em testes pela Viação Cidade Sorriso, voltamos a olhar para esse padrão de veículo. XY035 não é o primeiro 15 metros a circular em testes em Curitiba. Lá nos idos de 2001 a Scania trouxe um outro veículo similar, que recebeu o prefixo XY013.

Naquela época, o XY013 chegou a operar pela Empresa de Ônibus Campo Largo nas linha Curitiba/Campo Largo, Trabalhador, Interbairros II e III e também pela Sanjotur (!).

Efetivo em Curitiba temos apenas o quase aposentado 16L52, que chegou a Curitiba como 22L16 em 2006. Operou em testes no Inter 2 mas não obteve sucesso, pois seu comprimento dificulta as curvas de entrada e saída de terminais. Mesmo o eixo direcional, que serve para auxiliar na curva, ofereceu dificuldades pelo fato de “jogar” a traseira da carroceria sobre calçada e outros obstáculos.

Na Linha Direta Curitiba/Campo Largo também não teve sucesso pelo fato de “enroscar” em alguns pontos da via. Antes de ser passado para a Viação Tamandaré, ele operou na linha extra Campina do Siqueira/Campo Largo.

Pela Viação Tamandaré, o Scania K270 de 15 metros opera em tabela extra da linha Tamandaré/Cabral. Após 10 anos, todo o potencial de um veículo como esse não foi bem explorado, mas por outro lado, os veículos articulados acabaram se saindo muito melhores nas linhas em que um veículo como esse poderia ter operado.

Para Curitiba, a principal alternativa de uso de um veículo de 15 metros seria nas canaletas exclusivas. A questão é que nelas já circulam veículos com quase o dobro deste tamanho.

Diferentemente do piso-baixo, não acredito na possibilidade de Curitiba voltar a ter algum ônibus 15 metros, mesmo com a insistência da Scania nesses últimos 15 anos. A única saída seria se fosse para atender à uma linha muito específica, coisa que não foi o caso para as linhas diretas de Campo Largo, Inter 2 e mesmo para Tamandaré/Cabral.

 

About The Author

Fundador do Site Ônibus de Curitiba. Admirador de ônibus e modais de transporte desde sempre. Para Diego tudo podia virar ônibus, desde brinquedos, bicicletas, vídeo-games de corrida e até mesmo carros. Quem nunca brincou de fazer linha com algum desses itens? Pois é, Diego sempre fez. Também é fã de tecnologia e gosta de conciliar ambos os gostos, mas nem por isso deixa de encantar-se com modelos clássicos, que não eram dotados de tanta tecnologia assim.

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  • Jonas De Almeida Cabral Neto

    Sobre os piso baixo, faltou citar os Busscar Urbanuss Pluss LE da Viação Tamandaré (16C38 ao 16C42), vindos da empresa TIL de Londrina-PR

    • Boa! Não tinha esquecido mas não queria misturar com os 5 de Curitiba. Vou inserir como exemplo dos RMC 😉

      • Jonas De Almeida Cabral Neto

        Ah, entendi Diego, estarei no aguardo dos exemplos da RMC

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