Por Angieli Maros – Gazeta do Povo


O primeiro dia da mudança da linha de ônibus Ligeirinho Aeroporto pegou muita gente de surpresa e o aviso colado na entrada da estação-tubo, que fica em frente à área de desembarque do Afonso Pena, em São José dos Pinhais, não foi suficiente para evitar sobressaltos. A partir desta segunda-feira, a linha não vai mais para os sete pontos espalhados por Curitiba: Salgado Filho (Uberaba), PUC e Paiol (ambas no Prado Velho), Rodoferroviária, Círculo Militar, prefeitura e Centro Cívico. Agora, a linha direta que sai do aeroporto vai apenas para os terminais central de São José dos Pinhais e do Boqueirão, em Curitiba.

Eliane Marques, de 54 anos e Josete David, de 61, foram duas usuárias da linha surpreendidas na manhã desta segunda. As duas voltaram de uma viagem de uma semana em Manaus e não sabiam que a linha de ônibus que as levaria para casa havia mudado o trajeto – foram avisadas pela reportagem da Gazeta do Povo. “Vai para o terminal do Boqueirão? Mudou a linha?”, questionou Eliane, que mora na Fazendinha e que tentava encontrar um novo meio de chegar até em casa. “Se eu soubesse, tinha pegado Uber”, avaliou.

Taís Grasseli, cobradora da estação-tubo no Afonso Pena, diz que a reação tem sido comum durante toda a manhã desta segunda. Segundo ela, muitos passageiros quando são informados deixam de lado a linha e decidem pelo Uber ou pelo ônibus da linha executivo. ”De cada um que acha bom, dez acham ruim essa mudança. A maioria que vem com muita bolsa e mala e acaba não pegando ônibus aqui porque deve ser bem complicado chegar assim cheio de coisa lá no terminal”, relata a cobradora.

Para quem decidiu pegar o ônibus executivo, a solução foi pagar R$ 15, aos invés dos R$ 4,30 do Ligeirinho – o ônibus é gerenciado pela Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba (Comec) e, portanto, tem preço diferenciado do praticado na capital. A estação-tubo do ônibus não aceita cartão da Urbs. Apesar dos relatos de desistência frente à mudança, funcionários que atendem o ônibus aeroporto executivo disseram que o movimento estava normal durante a manhã. Mesmo assim esperam um reflexo de mais passageiros ao longo da semana por causa da mudança.

A corrida de Uber do aeroporto ao Centro de Curitiba sai, aproximadamente, por R$ 30. A corrida de táxi, por sua vez, sai por R$ 70.

A mudança não afeta só os passageiros de avião que vão ou saem o Afonso Pena. O porteiro João Xavier, de 59 anos, reclamou que a alteração da linha complicou sua rotina. Morador de Colombo, na região metropolitana de Curitiba e funcionário de um prédio vizinho ao aeroporto, ele saiu às 5 horas da manhã de casa para chegar ao trabalho nesta segunda. Antes da mudança na linha ele saía às 6h05. “Isso com certeza não foi uma coisa boa. Ao menos para mim agora vai ficar bem difícil”, conta o trabalhador, que agora precisou incluir os terminais Hauer e Boqueirão no trajeto diário.

Demanda

Segundo a Comec, o órgão que gerencia o transporte metropolitano, a mudança atende reivindicação dos funcionários do terminal aeroportuário, já que a demanda de passageiros neste Ligeirinho costuma ser baixa. “Hoje, a demanda dessa linha é muito fraca, com um carregamento de 15% da capacidade da rede. Mais de 80% dos usuários são os trabalhadores do aeroporto, que utilizam em horários específicos do dia. Nos demais horários, a linha opera ‘batendo lata’, que é o jargão que usamos no setor para operação sem passageiros”, disse Omar Akel, diretor-presidente da Comec.

No entanto, Regina Zart, 42, funcionária da companhia aérea Azul, disse que a mudança foi ruim para ela e muitos de seus colegas de trabalho. Antes, ela pegava a linha antiga no tubo Salgado Filho e seguia direto para o aeroporto. Agora, precisa ir até o Terminal do Hauer, depois para o terminal do Boqueirão para então acessar o Ligeirinho que leva ao Afonso Pena. “Para quem pega o ônibus uma vez ou outra não deve ter ficado tão ruim, mas para a gente que precisa ir para lá todo o dia não está legal. Eles deveriam ter ouvido nossa opinião sobre essa mudança”, considera Regina.

A expectativa da Comec é que a demanda da linha Aeroporto/Boqueirão seja maior do que a da linha extinta.Isso deve ocorrer porque os passageiros poderão se conectar em um eixo de transporte com mais opções de linhas.

Fonte: Gazeta do Povo


 

Opinião OC

Exatamente o que prevíamos em nosso post em que falamos sobre esta mudança e também o que discutimos no ÔnibusCast aconteceu. Muitos transtornos aos usuários, especialmente para aqueles que estavam em viagem e acabaram surpreendidos por esta absurda mudança.

Também como o esperado, as pessoas que por ventura necessitarem de deslocamento, passarão a utilizar meios alternativos, como Uber e Cabify, justamente como mencionado pela usuária citada na reportagem da Gazeta do Povo.

Mas estaremos aqui discutindo esta mudança a todo momento, pois claramente percebe-se que foi uma ação desastrosa, focada unicamente numa possível redução de custos, que como consequência, gerará ainda menos arrecadação ao sistema, já que os usuários colocarão seu dinheiro em algum serviço que seja verdadeiramente eficiente para eles. O Ônibus, este já não está mais sendo útil, infelizmente.

Se você não ouviu o ÔnibusCast, aperte o play abaixo e compare nossa opinião com o resultado do primeiro dia de mudança citado acima pela imprensa.

 

About The Author

Fundador do Site Ônibus de Curitiba. Admirador de ônibus e modais de transporte desde sempre. Para Diego tudo podia virar ônibus, desde brinquedos, bicicletas, vídeo-games de corrida e até mesmo carros. Quem nunca brincou de fazer linha com algum desses itens? Pois é, Diego sempre fez. Também é fã de tecnologia e gosta de conciliar ambos os gostos, mas nem por isso deixa de encantar-se com modelos clássicos, que não eram dotados de tanta tecnologia assim.

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  • Orem B. Hartuing

    No mundo inteiro, pelo menos no lado decente do mundo, as cidades investem milhões e bilhões numa ligação eficiente e rápida com o aeroporto que a serve. São inúmeras cidades com estações de metrô ou de trem praticamente dentro dos terminais, quando isso não é possível há linhas de ônibus ou vans que saem rapidamente e integram a rede de metrô em questão de minutos. Estive em Casablanca (Marrocos), maior cidade de um país africano com 1/3 da renda per capita do Brasil, e lá existe um desses trens que saem a passos do terminal de desembarque, capaz de vencer os mais de 30km que separaram o aeroporto do centro em 35 minutos.

    Dito isso, é com tristeza e revolta que recebo a notícia de que Curitiba cancelou a linha de ligeirinho do Aeroporto, que tantas vezes utilizei e outras tantas pretendia usar. A “cidade modelo”, “capital ecológica”, “pedaço de Europa no Brasil”, acaba de suprimir a única linha de ônibus regular que ligava o seu centro ao seu aeroporto, que a despeito das deficiências e dos poucos carros disponíveis, cobrava um valor justo pelo serviço e “entregava” o passageiro com segurança e certa rapidez. O argumento de que a operação era deficitária não convence, pois o sistema não é feito para ser superavitário em todas as linhas, pelo contrário, as linhas de alta demanda financiam as de menor uso, garantindo a sim a capilaridade de todo o esquema de transportes e atendendo as necessidades globais da população.

    Para minhas necessidades pessoais, passei a depender do Executivo, que a 15 reais ainda é a opção mais barata até a região do Círculo Militar. Esses dias, experimentei pegar o novo Aeroporto/Boqueirão só para testar, pensei que não poderia ser tão ruim assim pois a integração no terminal Boqueirão certamente iria ampliar as possibilidades, mas o primeiro problema foi chegar até lá. Pra começar, o ligeirinho saiu do aeroporto 6 minutos atrasado, o motorista não parecia estar preocupado com o horário. A maior questão nesse trajeto, no entanto, foi a parada no Terminal de São José, onde o ônibus desligou o motor e ficou parado por inacreditáveis 13 minutos, nem o motorista ficou no ônibus. Chegando no Boqueirão, peguei o linha direta Boqueirão/Centro Cívico e daí foram mais uns 40 minuto

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