Um estudo realizado pela empresa de consultoria Sitplan, contratada pela Associação Metrocard, que reúne as empresas que operam as linhas da região metropolitana de Curitiba, mostra que com a readequação de linhas e horários será possível diminuir a dependência dos subsídios públicos e ainda melhorar a prestação de serviços, com a eliminação da superlotação nos trechos hoje mais movimentados.

O levantamento começou em março do ano passado e teve como base os dados gerados pela bilhetagem eletrônica, hoje a cargo da própria Metrocard, e pelo o monitoramento da frota por meio do GPS. Também foram detectados pontos em que os serviços precisam ser melhorados.

O estudo analisou a rotina dos passageiros de 228 linhas do sistema metropolitano que operam em 20 municípios da Região Metropolitana de Curitiba. Estas linhas são usadas geralmente por cerca de 300 mil passageiros por dia. Foi possível relacionar com o estudo, onde estão os pontos de maior procura, as origens e destinos mais frequentes , regiões onde há carência de maior oferta de transportes e onde há as maiores ociosidades.

Em nota ao Diário do Transporte, o presidente da Associação Metrocard, Lessandro Zem, diz que as adequações podem reduzir em até 10% o custo operacional, o que pode resultar futuramente em reajustes menores tarifas e menor dependência dos subsídios públicos.

“Com os resultados em mãos, pretende-se retirar eventuais ociosidades e modernizar as flexibilizações de horários, com uma oferta de transporte de acordo com a demanda. Assim, estimamos que poderá ter uma economia no custo operacional de 7% a 10% e, com isso, caso o projeto seja aprovado pelo poder público, haverá redução da dependência do aumento de subsídios do poder público”, – disse.

Os dados usados como base no estudo foram fornecidos por 18 empresas que operam em 16 cidades, em 15 dias de serviços, totalizando 16 mil viagens diárias. Com essas informações em mãos, a consultoria Sitplan  realizou a contagem de embarque e desembarque nos terminais e nas estações-tubo e, em parceria com funcionários do setor de tráfego das empresas, que têm conhecimento na prática da rotina e demanda dos passageiros, tabulou os dados.

A padronização das linhas que operam o sistema metropolitano é outra necessidade para evitar a superlotação, de acordo com Lessandro Zem.

“Os resultados do levantamento também apontam a necessidade de padronização de todas as linhas que operam o sistema metropolitano, elevando a produtividade e a qualidade, evitando congestionamento e superlotação com a adequação de partida e de chegada”

As empresas devem propor o fim de sobreposições, mudanças de itinerários e diminuição de viagens em horários menos procurados com o aumento nas faixas de maior demanda.

REINTEGRAÇÃO:

A finalização do estudo foi divulgada no momento em que a prefeitura de Curitiba e o Governo do Estado do Paraná anunciam a reintegração financeira e de gestão do transporte na região metropolitana.

O prefeito da capital paranaense, Rafael Greca, e o governador Beto Richa anunciaram que a reformulação da RIT – Rede Integrada de Transporte deve ser gradativa, mas estará desenhada até metade deste ano.

A primeira linha que marcou o início da reintegração foi a CIC/Colombo que começou as operações no dia 23 de janeiro de 2017. A próxima deve ser a ligação entre Araucária/CIC.

A desintegração da RIT começou em 2015, quando o então prefeito Gustavo Fruet e o governador Beto Richa, rivais políticos, não entraram em acordo sobre o custeio das integrações entre as linhas metropolitanas e as municipais.

Um dos resultados foi a divisão da bilhetagem eletrônica.

Os ônibus municipais de Curitiba, gerenciados pela Urbs, contam com a bilhetagem antiga e os ônibus metropolitanos com a bilhetagem da Metrocard desde 2015.

A unificação dos bilhetes é uma das promessas da reintegração, no entanto, ainda não foi definido como será o processo.

As empresas de ônibus metropolitanas investiram para a implantação do atual sistema Metrocard, que hoje possui tecnologia mais moderna que do sistema Urbs.

Caso haja uma unificação, ainda não está definido se as tecnologias do Metrocard serão aproveitadas ou se será criado outro modelo.

Texto: Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
Fonte: Diário do Transporte
Fotos: Jonas de Almeida Cabral / Wagner Domingos Ivanesken

About The Author

Wagner é motorista de ônibus da Empresa Expresso Princesa dos Campos e admirador de ônibus e transporte público desde pequeno. Trabalhou em empresas de Curitiba, como a Cristo Rei e Santo Antônio. Também foi o criador do blog Ivanbuss, onde publicava suas fotos e de amigos. Em 2012 juntou-se ao Ônibus de Curitiba e trouxe sua experiência para somar ao time do site.

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