Uma das maiores discussões nos mais variados grupos de colecionismo fotográfico, sejam de ônibus, aviões, trens, automóveis, esportes, etc., é a questão do plágio das imagens produzidas.

Desde que a internet se transformou em um vasto mar de conteúdo e acesso a todo tipo de material intelectual, audiovisual, literatura, entretenimento, entre outros, viu-se a exploração desses materiais sem o devido respeito aos direitos autorais de seus criadores. Entre tantas coisas, as fotografias são as que de longe trazem mais dor de cabeça a seus criadores.

É extremamente normal e compreensível que as pessoas queiram salvar fotografias encontradas na internet para tê-las sempre à disposição para consultar, admirar, utilizar como fundo de tela de dispositivos eletrônicos, relembrar momentos nostálgicos e tantos outros sentimentos. Tem aqueles que recortam ou removem eletronicamente os créditos das imagens para tê-las puras, porém preservando em seu acervo privado, sem espalhar pela internet ou para terceiros. Mas há ainda pessoas que removem os créditos dos respectivos autores e reproduz as imagens na internet, violando leis de direitos autorais e assim sujeito às aplicações da lei.

 

O uso

Pessoas e entidades sérias, ou ainda que compreendem que direitos autorais de imagem são válidos no mundo todo e devem ser respeitados, utilizam os materiais intelectuais citando a fonte e/ou o autor da imagem. As formas de aplicação e que são corretas são as mais diversas, entre elas:

  • Publicar a imagem original da fonte, com os créditos previamente exibidos;
  • Remover os créditos originais e publicar a imagem com o padrão visual do publicante, reintroduzindo os créditos do autor/fonte;
  • Remover os créditos originais e publicar a imagem sem créditos, PORÉM, citando o autor da fotografia na legenda da imagem.

 

Porque usar e respeitar os créditos?

Ao nominar o respectivo autor da imagem, estamos atribuindo o mérito ao mesmo pelo seu trabalho e empenho, em especial àqueles que passam horas e dias a procura de registros importantes e/ou que carregarão um contexto histórico.
Quando nos referimos ao ônibus, em especial aos que circularam em nossa região, respeitar a autoria do fotógrafo é saudar a pessoa por ter tido a ideia e boa vontade de fotografar ônibus em tempos em que se usavam filmes fotográficos, normalmente possibilitando apenas 12 capturas por filme. Se hoje podemos matar a saudade dos anos 70, 80, 90 e mesmo dos anos 2000, isso é graças a essas pessoas empenhadas e apaixonadas. Claramente isso tudo vale para as fotos contemporâneas, registradas diariamente por Curitiba e RMC.
Deixar de utilizar ou ainda se apropriar da obra de outra pessoa é fazer com que outras tantas pessoas deixem de ver novas e também nostálgicas fotos na internet, já que os autores sentem-se desrespeitados quando veem suas imagens sendo divulgadas na rede mundial de computadores com os créditos atribuídos a terceiros.

 

O que fazem aqueles que insistem em divulgar suas imagens?

Tem muita gente apaixonada por produzir imagens e compartilhar com os amigos e o público da internet em geral. Essas pessoas possivelmente já tiveram imagens inadvertidamente “roubadas” e hoje aplicam certos recursos para evitar novas fraudes.
O modo visualmente menos atrativo é a inserção do nome sobre o objeto da imagem ou nas suas bordas. Provavelmente seja o modo mais efetivo para evitar os que gostam de burlar os créditos dos autores. Há ainda o modo de inserir uma marca d’água sobre o objeto, onde somente é possível visualizar a autoria ou fonte com muita atenção. Esse é o método usado pelo Ônibus de Curitiba desde 2011.

Tática para evitar o “roubo” de imagens

 

O que pensam os autores?

É difícil listar alguém no nosso meio de fotógrafos de ônibus que não tenha sido vítima dos apropriadores. O sentimento de revolta e de desrespeito é unânime. Alguns preferem evitar que seu acervo seja desfeito e optam por restringir suas imagens a um pequeno grupo ou ainda deixando de exibir publicamente na internet.

Uma das pessoas que é referência em fotografias de ônibus na região de Curitiba é o nosso amigo e colaborador Francisco José Becker. Becker que já foi vítima do mau uso de suas raras e clássicas imagens, ainda insiste em compartilhar suas fotografias com todos (veja algumas aqui). Porém, ele pondera que as pessoas podem usar e salvar suas fotos, mas que mantenham o crédito de suas obras. Respeitar isso é prestigiar o trabalho e garantir que ele possa continuar mostrando um pouco de seu acervo para todos.

 

O caso que foi a gota d’água

Como citei no início do texto, o plágio de fotografias acontece há muito tempo e praticamente todos os que produzem periodicamente já passaram por isso em algum momento na vida. Todavia, na semana passada, surgiu uma polêmica envolvendo um grupo no Facebook chamado “Onibus antigos . sonhos & Historias“.
Segundo diversos fotógrafos, o administrador do grupo tem postado grande parte das fotos com a autoria suprimida e no lugar, inserindo seu próprio nome. Além de fotografias divulgadas em redes sociais, galerias online e afins, muitas imagens veiculadas aqui no site Ônibus de Curitiba e no blog “Ivanbus”, do nosso colaborador Wagner Ivanesken, foram divulgadas neste grupo em forma de plágio.

Muitos fotógrafos que se sentiram desrespeitados, procuraram o administrador da página para solicitar a exclusão da imagem da internet ou a correção dos créditos. Com rispidez e descaso, o administrador da página alegou que, para uma das imagens questionadas “Está em meus arquivos e esta foto era do arquivo da Auto Viação Marechal qual fui funcionário por 23 anos não devo satisfação”, além de excluir do grupo toda e qualquer pessoa que o questionasse ou ainda parecesse ser uma ameaça a ele e para sua “liberdade de expressão”.

Para comprovar que este cidadão está explicitamente cometendo o crime contra a lei de direitos autorais, listamos algumas imagens publicadas por ele juntamente com as originais, que detém os créditos de seus respectivos autores:

Observe o caso acima. O administrador do grupo de plágio removeu grosseiramente a barra de créditos no rodapé da imagem e inseriu uma “etiqueta” com seu próprio nome. O detalhe é que sobre o ônibus JR400 aparece a marca d’água do Ônibus de Curitiba e no canto inferior direito mostra um pequeno pedaço da antiga logomarca do site. 
Agora, confira a imagem original que aparece em um simples resultado de busca no Google pelos prefixos dos ônibus exibidos na imagem. Veja a aplicação original da barra de créditos, o nome do autor empregado nela, a marca do site e a marca d’água no mesmo local. Atente-se ao fato de o próprio Google alertar o usuário de que a imagem pode estar sujeita às atribuições legais de direitos autorais: 

As imagens podem estar sujeitas a direitos autorais

 

Veja outros exemplos:

 

Além das fotos com plágio em flagrante, o administrador também publicou diversas fotografias com os créditos suprimidos.

Imagem com crédito suprimido – Foto original de Francisco José Becker

 

 

Se nada disso te surpreende, então veja outras ocorrências envolvendo este caso. Em um deles, a pessoa insere seu nome acima do nome do verdadeiro autor da imagem.  Em outro caso, ele faz questão de incluir seu nome sobre o objeto, só para garantir de que “criminosos” não roubem a “sua” fotografia.

 

O que fazer se a foto que você encontrou e salvou não possui créditos?

  • Não divulgue!
  • Se precisar divulgar a imagem para qualquer fim, você pode utilizar duas formas de adicionar créditos a imagem: 
    • Divulgar como “Divulgação” ou;
    • Divulgar como “Autor Desconhecido”.

NUNCA divulgue uma imagem que NÃO É SUA inserindo o seu nome nela.

 

“Eu achei a foto na internet e a salvei nos meus arquivos. Então agora ela é minha”

Errado! A foto é e sempre será de propriedade da pessoa que a produziu originalmente, independente se você tem a fotografia salva em seu computador há 10 anos.

 

O que diz a lei?

No âmbito legal, toda obra nas suas mais diversas formas de criação estão protegidas pela lei número 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. Você pode conhecer mais sobre a lei e saber as suas aplicações aqui.
Somente para fins de esclarecimento, veja o que diz a lei quando se trata de utilizar a fotografia de terceiros:

§ 1º A fotografia, quando utilizada por terceiros, indicará de forma legível o nome do seu autor.

Isso resume bem todo este artigo: se a foto não é sua, você OBRIGATORIAMENTE deve indicar de forma legível o nome do autor. E não, você não tem o direito sobre a imagem mesmo se ela estiver salva nos seus arquivos pessoais.

Para você autor: A foto é e SEMPRE SERÁ SUA! Ninguém tem o direito sobre ela a não ser você!

 

Penalidade para violação de direitos autorais

Multa e detenção de três meses a um ano.

 

O que fazer se você encontrar uma foto sua sendo utilizada de forma indevida

Caso você se depare com alguém utilizando e/ou divulgando sua imagem sem os seus créditos ou ainda com nome de outra pessoa nela, você pode exigir a remoção imediata da imagem da publicação. Se isso não funcionar, você pode procurar a justiça para que o infrator seja condenado por lesão aos direitos autorais.

Por isso, sempre que você encontrar uma foto na internet com a marca d’água do Ônibus de Curitiba sobre ela e não tiver a barra de créditos, por favor verifique a autoria legítima aqui no nosso site e notifique-nos.

Quer saber mais sobre o assunto no que tange os direitos? Acesse esse artigo esclarecedor do blog Dicas de Fotografia. 

About The Author

Related Posts

Leave a Reply

Your email address will not be published.