K11-27O ônibus articulado elétrico K11, da fabricante chinesa BYD, está em Curitiba durante toda a primeira semana de outubro para testes e apresentação ao sistema local. Na terça-feira, 06, o veículo circulou durante todo o dia no trajeto da linha Interbairros II com técnicos da URBS e funcionários da Viação Cidade Sorriso, carregado com barris de água para simulação de capacidade.
Na quarta-feira, o modelo esteve exposto na Rodoferroviária de Curitiba, das 9h às 17h. Hoje e amanhã, quinta e sexta-feira, o veículo estará exposto na praça Rui Barbosa para acesso ao público em geral, também das 9h às 17h.

 

O modelo em exposição

A unidade que está em demonstração pelo país foi fabricada nos Estados Unidos e suas configurações atendem integralmente aquele mercado. Por isso, o modelo recebeu autorização de importação temporária por 3 meses, com placa verde, e não está possibilitado para transportar passageiros em linha.

O K11 esteve durante 1 mês em testes em uma empresa de auditoria automotiva em São Paulo-SP, que gerou um relatório com detalhes do veículo, o qual servirá como base para boa parte das empresas e gestoras de transporte público de todo o Brasil. O relatório ainda não está pronto, mas a BYD adiantou que o K11 cumpriu com todos os aspectos técnicos.

O tour entre as cidades, variando de 1 a 2 dias, é utilizado para avaliar o modelo na realidade de cada cidade e analisar o desempenho energético, economia e autonomia dentro de linhas específicas.

Com o prazo de autorização de importação próximo do fim e com a Receita Federal em greve, Curitiba é a última cidade a conferir o articulado elétrico, que já está destinado à exposição em uma feira do setor nos Estados Unidos.

Conforme explicado por Adalberto Maluf, Diretor de Marketing e Relações Governamentais da BYD, a empresa está produzindo em sua planta americana um modelo dentro dos padrões e normas brasileiras para ser homologado e realizar novos testes de campo nas cidades que possuem interesse e projetos de ônibus ecológicos.

 

K11 de “peso”

K11-26Os ônibus BYD são os primeiros 100% elétricos produzidos em massa e possuem produção anual em média de 10 mil unidades. Outro aspecto positivo ressaltado pela BYD está no fato de o modelo utilizar baterias de Fosfato de Ferro, que são amigáveis ao meio ambiente. Sua autonomia gira em torno de 260km, sendo capaz de suprir a demanda de mais de 80% das rotas do transporte coletivo.

Seus motores são acoplados diretamente às rodas e o sistema de frenagem faz a recarga das baterias, garantindo eficiência técnica, operacional e de manutenção.

Focado no meio ambiente, além das baterias que utilizam materiais amigáveis, o ônibus elétrico da BYD tem taxa zero de emissão de poluentes, o que significa redução na emissão de gases de efeito estufa.

Assim como diversos fabricantes de automóveis da China, a BYD garante economia em seus modelos. A economia parte do consumo elétrico reduzido e a manutenção é mínima, “com poucas revisões e trocas de peças. Os recarregadores das baterias são de alta potência e baixo custo”, afirma a companhia.

 

Características do modelo apresentado

Ao irmos até a praça Rui Barbosa para conhecer o ônibus articulado, nos deparamos com as mais diversas reações das pessoas que por ali passavam. Havia pessoas que estavam tão entusiasmadas que queriam saber quando e onde ele iria circular. Houve quem sugeriu a implantação de “choque” nos vidros para os vândalos não os riscarem. Mas a sensação unânime foi o fato do modelo ser piso baixo e novo. Por ser do modelo americano, muitas pessoas ficaram curiosas com os detalhes tão específicos. Para você que não viu de perto, listamos abaixo os detalhes para você 😉

 

Piso baixo

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O piso baixo é um item padrão em diversos países, especialmente na América do Norte e Europa. O K11 em exposição veio no modelo piso baixo.

 

Rampa de acesso

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Especialmente em Curitiba, estamos acostumados aos elevadores para acesso de cadeirantes. No exterior, pelo fato do piso ser baixo, os ônibus não possuem elevadores, mas sim rampas. As rampas podem ser acionadas manual ou automaticamente pelo motorista após o ônibus se “ajoelhar” para facilitar o acesso. Assim que o cadeirante ou o carrinho de bebê embarca, o motorista recolhe a rampa e desativa o ajoelhamento da suspensão.

 

Espaço para cadeirantes

Enquanto aqui temos um espaço reservado, delimitado e demarcado, o K11 e seu padrão americano não traz desta maneira. O espaço para cadeirantes fica em uma área onde há bancos laterais retráteis. Se houver cadeirantes, os bancos são retraídos e o usuário poderá se acomodar no local. Caso contrário, os assentos poderão ser utilizados por qualquer pessoa.

 

Janelas

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O formato das janelas também chamou a atenção dos curitibanos. Ao invés de ser dividida em duas partes, onde uma é fechada e a outra abre com folhas de vidro que são arrastadas para sentidos opostos, o K11 possui janelas de pequena abertura e ativadas por pressão pneumática. Diferente daqui, no hemisfério norte as estações de outono e inverno são rigorosas, o que obriga a utilização de ar condicionado e calefação em todos os ambientes. Nos ônibus não é diferente, e normalmente se vê a utilização do ar condicionado, ao invés das janelas.

 

Balaústres

No Brasil consolidou-se a regra de utilização de balaústres emborrachados na cor amarela. O padrão norte-americano não conta com isso, então o modelo veio sem qualquer revestimento.

 

Câmeras

Estamos quase chegando lá neste quesito, mas no exterior a utilização de câmeras nas portas, traseira e ao longo do veículo é comum há muito tempo. No painel do motorista, há uma tela onde é possível visualizar a imagens de todas as câmeras.

 

Bancos

Nossa cultura, e também nosso calor, não permite a utilização de bancos estofados no transporte coletivo. No K11 os bancos finos e estofados chamaram a atenção das pessoas.

 

Bancos na articulação

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Outro detalhe interessante e contraditório é a presença de assentos na articulação. Em algumas regiões no hemisfério norte, há esta opção de assentos. Por aqui, a opção é inexistente.

 

Catraca

No Brasil, o uso de catraca para controle de passageiros é uma prática extremamente normal. Isso não ocorre no exterior e nem há a função de cobrador. O motorista possui acesso a um caixa e uma ticket printer, maquina emissora de bilhetes, e faz a cobrança e acesso por conta própria. Ainda há lugares onde o próprio passageiro faz a validação de seu ticket em validadores na parte de trás do ônibus, sem ter necessidade de acessar à porta dianteira. O K11, por ser modelo de demonstração, não possui catraca e nem o sistema de bilhetagem.

Ainda na cabine do motorista, é possível notar detalhes específicos dos ônibus americanos, como o volante, chave de porta em formato de haste, o freio de estacionamento acionado por botão ao invés de alavanca, botões de liga/desliga dos equipamentos eletrônicos e luzes e o velocímetro em milhas.

 

Equipamentos

O K11 bronze possui led em todos os pontos de iluminação do veículo. Também conta com rodas de alumínio em todos os eixos.

Ao longo de todo o interior do veículo é possível ver armários. Dentro deles, encontram-se todas as baterias que alimentam e geram energia aos propulsores. Neste quesito, o modelo perde eficiência ao consumir espaço útil no salão de passageiros.

 

Operação no Brasil

De acordo com a fabricante, em breve serão inauguradas duas fábricas na cidade de Campinas-SP, onde serão produzidas baterias e realizada a montagem final de chassis de seus modelos elétricos, utilizando componentes locais, com exceção do motor na roda e inversor, que serão importados. No início de produção, a unidade paulista irá produzir em modo de montagem CDK, que corresponde à importação dos componentes com montagem local.

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A expectativa da montadora é de produzir entre 500 a 1000 chassis no ano de 2016 e espera que com o crescimento no mercado, uma planta dedicada produza até 4000 chassis por ano.

A fabricante já possui parceria com as principais encarroçadoras do país. Os primeiros projetos receberão carrocerias da Caio Induscar e Marcopolo.

A primeira cidade brasileira a ter frota operante com ônibus elétricos BYD é Campinas. Há previsão de início de operação também na cidade de São Paulo em 2016.

 

Tecnologia na ponta dos dedos

Embora o K11 bronze de demonstração não tenha novas tecnologias para o usuário, Adalberto Maluf disse que a BYD irá trazer modelos com internet Wi-Fi e tomadas USB para carregamento de celulares. Outro ponto importante citado pelo representante da marca é que ela não vê o usuário do transporte público apenas como um passageiro, mas sim como cliente e há o interesse em tornar o transporte coletivo mais vantajoso e competitivo, através da tecnologia tangível ao usuário e aquela a qual ele não vê, mas sente no conforto do rodar e no silêncio pela ausência de propulsor à explosão.

 

BYD para Curitiba

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Com a manifestação de interesse da prefeitura em ônibus híbridos e ecológicos, a BYD espera trazer novamente o modelo articulado no padrão brasileiro, para operar em testes durante um período de 30 a 60 dias, onde a URBS gerará relatórios dos detalhes técnicos, operação do veículo e depreciação para inserir na planilha de custos e remuneração do sistema.

Com aprovação técnica da URBS, a BYD terá disponibilidade de negociação direta com as empresas de ônibus de Curitiba. Maluf ressalta que, embora o ônibus elétrico seja mais caro no início, em 10 anos de operação, o ônus será menor e atrairá mais passageiros.

De acordo com funcionários da URBS, enquanto os Bio-Bus (outro modelo chinês) esteviveram em testes, o veículo foi sucesso pelo simples fato de possuir internet Wi-Fi. Se todo o interesse dispensado pela população ao K11 nesta semana for incrementado com tecnologias para uso dos usuário, é possível que a previsão da BYD de aumento no número de usuários do transporte coletivo seja coerente. Aí vai depender não só dos investimentos das empresas e fabricantes, mas também da gestão pública em tornar o modal mais atrativo como um todo.

 

Funcionamento elétrico

Com uma recarga de 2 a 4 horas, a fabricante garante que o veículo opera durante todo o dia, em torno de 20 horas. A autonomia dependerá do modelo, e a fabricante cita que possui modelos de 200 km, 250 km e 300 km. Ainda de acordo com a BYD, há modelos de 400 km, que são os utilizados no Transmilênio da Colômbia.

Os pontos de recarga nas garagens não exigem grande investimento, uma vez que o inversor (que faz a conversão a AC/DC) fica dentro dos ônibus e o adaptador de carregamento é implantado pela própria BYD.

 

Sobre a BYD

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A BYD possui 20 fábricas no mundo, iniciou suas operações com fabricação de computadores e celulares e conquistou a posição de segunda maior fabricante de gadgets. Atualmente a planta fabricante de ônibus está localizada apenas nos Estados Unidos.

Atualmente a BYD é a maior fabricante de ônibus elétricos do mundo, de acordo com a companhia. Seu maior mercado está situado em sua própria casa, a China, que também é a maior consumidora de veículos elétricos do mundo.

Saiba mais sobre a companhia, clique aqui e acesse o site.

 

Especificações técnicas do K11

Comprimento18m
Largura2.53m
Altura3.27m
Assentos47
Velocidade máxima60km/h
Distância do solo0.28m
SuspensãoPneumática
Autonomia260km (condições urbanas na China)
Motor elétricoBYD AC Síncrono (Brushless)
Potência máxima360kW (180kW x 2)
Torque máximo3000Nm (1500Nm x 2)
BateriaBYD de Íon-Litio e Fosfato de Ferro
Capacidade de energia450kWh
Potência de energia100kW 2
Tempo de carga2.5h

 

About The Author

Fundador do Site Ônibus de Curitiba. Admirador de ônibus e modais de transporte desde sempre. Para Diego tudo podia virar ônibus, desde brinquedos, bicicletas, vídeo-games de corrida e até mesmo carros. Quem nunca brincou de fazer linha com algum desses itens? Pois é, Diego sempre fez. Também é fã de tecnologia e gosta de conciliar ambos os gostos, mas nem por isso deixa de encantar-se com modelos clássicos, que não eram dotados de tanta tecnologia assim.

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