A URBS divulgou nota no último dia 29/09, informando que realizou o reajuste da tarifa técnica para R$3,21. Um aumento R$0,19 menor que o solicitado na justiça pelas empresas concessionárias.

Para tal valor, a URBS justificou que descontou o valor que seria pago referente a amortização dos 180 ônibus que estão operando com vida útil vencida, o que fere o contrato de operação, assinado pela gerenciadora e consórcios no ato da licitação.
A não substituição dos 180 veículos por novos ônibus ocorre pelo fato de as empresas possuírem uma liminar judicial desde 2013, que impede a renovação da frota até que ocorra um equilíbrio econômico e financeiro dos contratos.

De acordo com a nota da URBS, o aumento na tarifa técnica, valor real pago às empresas por usuário pelo serviço prestado, representa R$5,2 milhões a mais por mês que será pago às empresas de ônibus de Curitiba, retroativo desde fevereiro deste ano, conforme indicado pelas empresas em comunicado.

 

Nem tudo são flores

Deste novo valor, a URBS irá descontar quase 30 milhões de reais já pagos desde maio para pagamento dos salários dos operadores e também retoma o desconto dos indicadores de qualidade que não foram atingidos, conforme estipulados no contrato de licitação.

 

Usuário não pagará o preço, ainda

Enquanto não houver parecer da justiça referente à solicitação das empresas de ônibus para o aumento da tarifa técnica para R$3,40, a prefeitura tem divulgado nos seus meios de comunicação, como sites e painéis eletrônicos de horários nos terminais e estações-tubo, de que a tarifa continuará em R$3,30. Todavia, ressalta que até o final do ano poderá ocorrer um novo aumento na tarifa técnica, de até R$0,10, para suprir a nova alíquota da contribuição previdenciária sobre receita bruta das empresas de ônibus, definido recentemente pelo governo federal e que passará a vigorar a partir de dezembro.

 

A conta não fecha

Mesmo com a tarifa social em R$3,30, a URBS informa que há muitas passagens sendo pagas em valores antigos, por conta da validade de 5 anos dos créditos do cartão transporte, deixando a tarifa no valor médio de R$3,00.

Além disso, a gerenciadora declara ter usado o Fundo de Urbanização de Curitiba para amortizar essa diferença e também financiou a pendência financeira do estado devido ao serviço metropolitano, que girou em torno de R$16,5 milhões no período de 2014.

 

O outro lado da moeda

No dia seguinte ao anúncio da URBS, o Setransp emitiu nota lamentando o aumento para R$3,21 da tarifa técnica. O sindicato informou que há preocupação com pagamento de 13º salário no final de ano que se aproxima.  “Infelizmente, o sistema continuará vivendo na iminência de não conseguir pagar a planilha de custo, pois houve reajuste de todos os itens que a compõe, como pneus, peças, lubrificantes, etc. Ontem, por exemplo, a Petrobras elevou em 4% o diesel”.

As empresas demonstram receio em relação ao futuro do sistema, com possibilidade de não conseguir cumprir com os todos os custos que oneram a operação do transporte coletivo.

Setransp alegou que as empresas não possuem interesse no aumento da tarifa para os usuários. Lembrou que, com a tarifa mais cara, menos usuários utilizarão o serviço.

 

Curitiba virou roteiro de novela mexicana

Curitiba à procura da luz no fim do túnel

Parece que nos últimos meses Curitiba vive cenas de novela mexicana, onde a cada capítulo ocorre uma nova surpresa e reviravoltas, além de uma guerra da qual mal se vê quem é quem, e quem efetivamente está com a razão.

Nessa esquete estreada pela prefeitura através da URBS e as empresas de ônibus, a corda parece estar cada vez mais perto de arrebentar. As empresas, de acordo com suas declarações através de seu sindicato, mostram a clara insatisfação com a licitação, com regras massivas e desvantajosas para elas e para as empresas que nem ao menos conseguiram participar.

Já a URBS rebate as afirmações das empresas, alega ser justa a remuneração e as cláusulas de seu contrato. Por outro lado, demonstra não encontrar forças e nem uma saída sequer para os problemas que seu sistema enfrenta. Nem ao menos se vê sinais de futuras evoluções para o transporte público. Ao invés de readequar os contratos para que haja maior equilíbrio para todas as partes de alguma maneira, as únicas medidas tomadas e também apontadas pelo Ministério Público foram o corte de diversos itens inclusos na tarifa técnica, como Segbus, kit inverno, redução do reajuste sobre combustíveis e acessórios e manutenção da bilhetagem eletrônica. Até mesmo os Hibribus foram apontados em um possível corte.

Aí você se pergunta: será que a saída para sanear as contas do sistema é cortar tudo? Não seria menos doloroso rever o contrato em vigor? Há a necessidade de trazer à tona uma nova discussão em cima de um contrato mais adequado à realidade atual do gestor público, empresas privadas e a população, uma vez que a CPI do Transporte da Câmara Municipal de Curitiba ainda não chegou a um parecer, a não ser algumas boas ideias e sugestões de seu relator, Bruno Pessuti.

Enquanto isso, o mau tempo continua sobre Curitiba e seu sistema que um dia foi referência.

About The Author

Fundador do Site Ônibus de Curitiba. Admirador de ônibus e modais de transporte desde sempre. Para Diego tudo podia virar ônibus, desde brinquedos, bicicletas, vídeo-games de corrida e até mesmo carros. Quem nunca brincou de fazer linha com algum desses itens? Pois é, Diego sempre fez. Também é fã de tecnologia e gosta de conciliar ambos os gostos, mas nem por isso deixa de encantar-se com modelos clássicos, que não eram dotados de tanta tecnologia assim.

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