É notório que com o fim da integração do transporte público entre Curitiba e Região Metropolitana, as empresas da RMC tiveram uma grande liberdade para tomar decisões de acordo com as reais necessidades de sua comunidade, sem se prender às amarras da URBS.

Viu-se grandes novidades, como o novo Marcopolo Torino em diversas empresas, ônibus articulados comprados para serem operados em diversas linhas, antes dificultado pela URBS. Também notou-se que toda a frota das empresas tornou-se uma única categoria: metropolitano (exceção para os municipais e escolares). Além disso, a COMEC organizou-se em conjunto com as empresas e definiram faixas de prefixação dos veículos por tipo de carro, como padron, comum, articulado, micro, etc.

No meio de tantas novidades nesses 2 anos de “liberdade”, a empresa que mais se destacou, sem sombra de dúvidas, foi a Viação do Sul. A empresa atende três municípios da região norte de Curitiba: Almirante Tamandaré, Itaperuçu e Rio Branco do Sul.

Um começo exemplar

Uma das primeiras atitudes da Viação do Sul assim que deixou de ser subordinada à URBS, foi comprar um lote de 4 ônibus articulados Mercedes-Benz que operaram por pouco tempo na cidade de Belo Horizonte. Foi um excelente começo, visto que com pouco a empresa fez muito. Assim que chegaram, os ônibus que possuem características diferentes das que estamos acostumados ao padrão URBS, foram pintados, inspecionados, ajustados e colocados para operar.

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Começou então uma evolução no atendimento à população daquela região. O maior e mais importante detalhe a respeito desta audaciosa e assertiva aposta da empresa foi que, por muito tempo ela tentou fazer isso sob a gestão da URBS, porém a mesma refutou a ideia alegando que não havia estrutura suficiente na Rodovia dos Minérios para que lá circulassem ônibus articulados.

Só que para contrariar o pessimismo da gerenciadora de Curitiba, a operação dos ônibus articulados foi um sucesso, tanto que em quase 2 anos de operação, não houve um incidente sequer, nem mesmo quebra desses veículos.

Ajustes para maximizar a qualidade no atendimento

Assim que os ônibus articulados começaram a operar, a Viação do Sul passou a analisar como seria possível maximizar a qualidade no atendimento, aproveitando a capacidade desses veículos em transportar mais pessoas.

Nos primeiros dias, os ônibus operaram em tabelas extras nos períodos da manhã e tarde nas linhas metropolitanas que vão a Curitiba. Porém, não estava funcionando como o esperado. A população passou a reclamar que os articulados pareciam andar mais devagar que os ônibus comuns.

Atenta às reclamações, a empresa acabou por idealizar que a melhor opção para atendimento à população seria com a criação de duas linhas diretas, que não parassem em todos os pontos de parada como as demais. Foi assim que surgiram as linhas Curitiba/Itaperuçu Direto e Curitiba/Rio Branco do Sul Direto. Essas duas linhas funcionam apenas nos horários de pico. De manhã, as linhas atendem no sentido Curitiba, parando apenas nos primeiros pontos e depois seguindo direto até o ponto-final, na praça 19 de Dezembro. Já no período da tarde, as linhas fazem paradas apenas nos pontos dentro de Curitiba e após a passagem da divisa com Almirante Tamandaré, seguem sem paradas até o município atendido.

Essa mudança trouxe mais agilidade e conforto para os usuários, que viajam com mais espaço e com menos paradas, diminuindo o tempo de viagem.

Quem está por trás da evolução

Sempre quando há sucesso ou fracasso em alguma execução, sabemos que por trás daquilo há alguém planejando. Esse planejamento pode se dar pela abrangência técnica ou pela experiência e conhecimento de causa.

No caso da Viação do Sul, o responsável pela evolução do atendimento é o gerente de tráfego, Christian Leonardi. Christian é apaixonado por transporte coletivo desde a infância e iniciou sua carreira profissional com 15 anos de idade, quando começou a trabalhar em uma empresa de ônibus na cidade de Jacarezinho, que naquela época havia recém-adquirido os ex expresso Nimbus Haragano da Auto Viação Nossa Senhora do Carmo, de Curitiba.

Em Curitiba, Christian trabalhou na Transporte Coletivo Glória e na Auto Viação Santo Antônio como motorista. Na Glória foi onde ele se destacou e avançou para o cargo de encarregado de telemetria. Foi em 2013 que Christian entrou na Viação do Sul como motorista. Em pouco tempo conquistou o cargo de fiscal. Com um notório trabalho, recebeu uma oferta para assumir o cargo de gerência. Sem a experiência de gestão, mas com uma longa experiência em transporte coletivo, Christian aceitou a proposta e imediatamente encontrou muitos desafios em sua nova função, especialmente colocar tudo o que estava pendente em ordem.

Um de seus primeiros objetivos foi reorganizar as escalas de motoristas e cobradores, a fim de otimizar a operação e oferecer escalas mais justas, por isso, Christian ajustou as escalas do zero, sem aproveitar nada do que havia anteriormente.

Por sua larga experiência como motorista e por suas ações de integração com a comunidade, Leonardi percebeu que a solução mais viável para diminuir a superlotação de seus ônibus era aumentá-los. Após a saída da URBS no gerenciamento do sistema metropolitano, Christian levou sua ideia de ônibus articulados à diretoria da empresa, a qual inicialmente refutou a ideia. Foi a persistência e a personalidade forte de Christian que o levou a insistir na ideia e conquistar a confiança da empresa no investimento arriscado.

Assim que os primeiros quatro articulados chegaram e iniciaram operação, a diretoria ficou tão satisfeita com os resultados, que tomou a iniciativa e solicitou a compra de outros articulados. Foi aí que, após uma visita à Volvo, o Busscar Urbanuss Volvo B360S foi adquirido em um lote fechado de três carros semi-novos da montadora sueca. Graças à esta iniciativa, Curitiba viu o seu primeiro ônibus articulado de piso baixo, além do primeiro Volvo B360S (B9 SALF), algo nunca antes visto por essas bandas.

Relacionamento com a comunidade

A Viação do Sul até pouco tempo estava a todo momento sendo jogada no fogo pela comunidade atendida pela empresa. Isso porque as reclamações eram constantes, tanto que muitas vezes a situação foi motivo de reportagens na mídia televisiva.

Foi com base nas reivindicações da população, que a viação nesta nova fase, passou a trabalhar para sanar as dificuldades.

Mesmo sendo difícil de acreditar, a reclamação recorrente do povo era que os veículos estavam velhos demais. Atualmente a companhia tem uma frota jovem e com um expressivo número de carros com elevador e/ou acessibilidade para portadores de necessidades especiais.

Ônibus novos

E a modernização da frota não para na Viação do Sul. A empresa adquiriu 2 ônibus novos, oriundos de uma desistência de compra de uma empresa da região nordeste do país. São dois Marcopolo Torino 2014 com chassis Mercedes-Benz OF-1519.

As características desses veículos foram mantidas, como o itinerário traseiro que exibe apenas o código da linha e a placa lateral que exibe a rota da linha, que nestes modelos é eletrônico.

Internamente, possuem piso antiderrapante e assentos estofados, configurados em 2×2.

Está prevista também a compra de novos ônibus, com chassis Mercedes-Benz OF-1724 para a substituição de veículos da frota operante.

Além dessas duas novas unidades, a empresa optou por comprar mais um ônibus articulado para expandir a frota desta categoria. O veículo com procedência da capital paulista, é um Caio Millennium II Volvo B12M, similar ao nosso já conhecido BR107. Igualmente aos demais Millennium II da frota, o novo articulado da frota possui 3 portas.

Preservação da história

Transporte público é algo que faz parte da vida de cada cidadão de uma cidade. Preservar a história das gerações e das evoluções de cada época deveria ser uma obrigação social. Mas como isso ainda não é possível, um grupo de pessoas resolveu adquirir um ônibus que marcou a história de Curitiba nas décadas de 70 e 80 e que estava praticamente intocado na cidade de Castro. O Nimbus Haragano (prefixo 6245 e posteriormente EE005) que circulou por muitos anos em Curitiba e em São José dos Pinhais antes de ser desativado, foi trazido para Curitiba novamente e está na garagem da Viação do Sul, esperando a oportunidade para ser restaurado e voltar a ficar como era antes de ser desativado.

O veículo ainda mantém suas características originais da época, como motorização intocada, assentos originais e em excelente estado de conservação. Identificações e adesivos internos ainda estão preservados. Até mesmo os espelhos retrovisores parecem ser os mesmos daquela época. A pintura seguiu inalterada.

Apenas alguns elementos externos, como piscas, parachoques e vidros precisam ser corrigidos e/ou substituídos. A principal dificuldade neste ponto é encontrar peças originais ou similares.

Esta é uma louvável iniciativa. Não tenha dúvida que esses elementos fundamentais da mobilidade urbana deveriam ser obrigatoriamente preservados. Como isso ainda não acontece, fica aí a ideia para que em um futuro próximo, pessoas como nós, entusiastas, operadores e empresas possam trabalhar em conjunto para resgatar e preservar a nossa história. Se tivéssemos 1 veículo preservado por empresa a cada 15 anos, hoje teríamos um patrimônio de valor histórico inestimável.

Escute o ronco deste carro:

Evolução do transporte

Particularmente falando, eu vejo a Viação do Sul como uma empresa exemplo. Sempre que tenho oportunidade, a cito como referência em empresa que mostra duas coisas importantes:

  • Que a URBS está 40 anos atrasada em suas atitudes e mentalidade. Isso ficou claro com a autonomia da empresa;
  • Que uma empresa tem sim a capacidade de trabalhar em conjunto com todas as suas vertentes, dando respostas a todos e aproveitando as ideias e potenciais de cada um para oferecer um serviço mais justo e próximo das necessidades de seus clientes.

Este é um caminho sem volta. Estamos em uma nova era. Precisamos trabalhar todos em conjunto para atingir nossos objetivos e satisfazer ambas as partes, especialmente os usuários, que sempre estarão a espera de um serviço mais humanizado e adequado às suas necessidades de HOJE!

About The Author

Fundador do Site Ônibus de Curitiba. Admirador de ônibus e modais de transporte desde sempre. Para Diego tudo podia virar ônibus, desde brinquedos, bicicletas, vídeo-games de corrida e até mesmo carros. Quem nunca brincou de fazer linha com algum desses itens? Pois é, Diego sempre fez. Também é fã de tecnologia e gosta de conciliar ambos os gostos, mas nem por isso deixa de encantar-se com modelos clássicos, que não eram dotados de tanta tecnologia assim.

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